Desabafo sobre pós graduação
O meio acadêmico é um lugar hipócrita. Cobram dos discentes um rendimento sobrenatural, mas não dão meios para que eles possam se desenvolver de forma saudável. Como esperar que pesquisadores tenham ânimo de trabalhar em seus projetos, quando o superior muda o tema sempre, quando não há valorização do esforço, quando não há oportunidades de prática ou de lazer sem culpa? Como esperar uma mente saudável de quem trabalha mais de 40 horas semanais, ganhando pouco, sem nenhum direito trabalhista, sem poder sair para espairecer?
O ócio é visto como algo digno de
punição. O discente não pode ter as noites ou fins de semana livres, porque ele
precisa produzir, precisa pesquisar artigos, escrever seus próprios, analisar
dados. Não há um retorno ou uma recompensa por isso. Muito trabalho para apenas
um pedaço de papel com um título de mestre ou doutor. Mas isso não deveria ser
bom? Em tese, sim. A realidade, no entanto, é outra. Basta digitar no google “doutores
desempregados” e você mesmo consegue ver como o número de acadêmicos que não se
insere no mercado de trabalho é grande. Os relatos são sobre como ser super qualificado
dificulta, porque as empresas não querem pagar o valor correto. Nos mesmos
artigos, é possível ver como mestres e doutores são obrigados a trabalhar em
áreas fora de sua formação, ou até mesmo em “bicos” para poder se sustentar.
Agora me diga, como manter
motivação para seguir na vida acadêmica com tudo isso?
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