Olá, arte, minha velha amiga

Como voltar a escrever de forma livre, espontânea e, talvez, artística, quando é obrigada a ter escrita científica? Como deixar a imaginação criar asas e a criatividade transbordar, quando há regras e modelos a serem seguidos? Textos e mais textos para escrever, diariamente. Chega o final do dia e onde está a vontade de escrever pro seu blog? Cadê aquela vontade de desabafar num texto?

É difícil, quem sabe impossível, conseguir escrever por prazer, por arte quando se escreve por trabalho. Todo instante aquela urgência de ler um artigo, pensar em quais partes são úteis pro seu projeto, e a escrita maçante, que tem que ser inovadora e criativa, mas não muito, precisa ser objetiva, mas não demais, caso contrário não prende o leitor. Sempre aquele desespero de ter algo para ler, alguma escrita por fazer. Aquilo que um dia foi diversão e terapia, virou uma labuta que podou qualquer possibilidade de viajar na maionese.

Sinto saudades do tempo em que sonhava acordada e criava estórias, personagens complexos, tramas interessantes e depois passava para o papel. Hoje em dia, sonho apenas quando durmo. Sonho sonhos estranhos difíceis de descrever, mas que ainda preservam o resto de inocência e imaginação de uma adolescente sonhadora.

Essa adolescente seguiu o sonho de virar cientista, mas a que custo? Já ouvi que para ser cientista, é preciso ser inventivo, criativo. É verdade. Porém, como disse de forma não tão explicita, a ciência e o mundo acadêmico cortam suas asas e sua liberdade, te tornando criativo (mas nem tanto) dentro da sua área super específica.

Esse é o primeiro texto livre em muito tempo. O primeiro de 2021, que foi feito no final de abril, num momento de urgência artística. A artista interior clama para ter sua volta a superfície e ela urge que seja na literatura, seu ramo de domínio.

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