Cultura de relacionamentos
Vivemos
inseridos numa cultura onde estar em um relacionamento é algo obrigatório, logo
chamo de “cultura de relacionamentos” isto. O que se caracteriza essa cultura?
Bom, sempre somos bombardeados com a ideia de que é preciso estar com alguém
para ser feliz, bem-sucedido. Essa ideia atinge mais fortemente as mulheres,
visto que ainda há a ideia de que a mulher não é um ser completo e precisa de
um homem para cuidá-la e sustentá-la. O conceito de fracasso é posto como
rótulo em pessoas solteiras, pressionando-as a buscar um relacionamento, mesmo
que infeliz, para se “completar”.
A maioria que
acredita que o amor serve para completar, preencher o vazio do peito, não o faz
por mal, foi criada assim. A mídia cria um ambiente favorável para esse tipo de
pensamento, seja com os inúmeros filmes de comédia romântica, seja pelas
baladas de amor. Somos criadas desde pequenas a esperar pelo príncipe encantado
que vai nos salvar da vida horrível em que vivemos, que vai solucionar nossos
problemas e nos deixar felizes para sempre. E acreditamos nisso. É fácil
acreditar, ainda mais quando se está crescendo e recebendo responsabilidades
que não existiam antes. As dores da transição de jovem para adulto devem ser
curadas com algo que nos traga felicidade, então por que não o amor?
A
grande dificuldade que temos é saber qual é o amor que nos falta. Entramos em
relações com pessoas que não são semelhantes a nós, mas que nos fazem rir ou
nos tratam como uma princesa. Depois de um tempo há um desgaste e atritos,
pois, sua infelicidade não está curada, você ainda tem aquele vazio que te
consome nos domingos a noite. Mas como isso é possível se você namora, é
casada, tem união estável, seja lá qual for seu relacionamento? A resposta é
simples: falta de amor próprio. Como consegui-lo? É um caminho difícil.
A
dificuldade existe porque quando decidimos ficar sozinhas para buscar nosso
próprio amor sobre nós mesmas (a redundância é proposital), o mundo se vira
contra nós. No começo a gente até tem um certo apoio, mas os meses vão passando,
e há quase um ano está sem ninguém, e o apoio desaparece. As amigas começam a
empurrar amigos/amigas delas para você. Segundo elas, você é muito legal para
estar sozinha. Você tenta explicar a situação, falar que quer ficar um tempo
sozinha, focar na sua carreira e a resposta que obtém é “você tem que ver se
não está usando sua carreira para tampar os buracos do seu coração”. Talvez
estejamos, talvez não. A escolha de estar em relacionamento é totalmente
pessoal. Estar solteiro/a não é sinônimo de estar triste, decepcionado com o
amor, é estar consciente de que relacionamento não é resultado de felicidade.
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